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Poesias declamadas

EU DIGO QUE...  (Poesias declamadas) escrito em sábado 22 novembro 2008 16:27


 

EU DIGO QUE...

Sandra Ravanini

Voz: Paulo Monti

 

 

 

 

Em mansos gestos cairá a última lágrima que derramo,

levará cravado nessa pedra um silencioso beijo de amor,

doce era o perfume nas manhãs que encontrei-me em teus braços,

para que hoje não se apague essa chama, então eu digo que te amo.

E na lembrança guardarei dos espinhos somente aquela flor,

frias serão as estações sem mais o tímido e incerto abraço,

então eu juro que te amo, e digo que te amo nesse ato insano.

 

 

 

 

Quero um quase nada dessa saudade que em silêncio declamo,

em prece angustiante hei de sentir no teu beijo o mesmo gosto,

sentirás então o ritmo da força com que tocaste meu coração,

se me amaste como te amei, dentre todas as juras que trocamos,

tocará a tua boca em minha boca e secará a lágrima em meu rosto.

Então após vivido esse amor a mim bastará esperar na solidão,

se primeira for tua hora, então agora eu digo que te amo.

 

2005

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Dorme Sofia  (Poesias declamadas) escrito em sábado 15 novembro 2008 15:29


 

Dorme Sofia
Sandra Ravanini

Voz: José C. Lopes

Que faço eu agora que a confiança foi-se embora?

Mãos em oração sem mais aquela esperança,
de que me serve o riso de uma alegre lembrança?...
Com essas lágrimas antecipadamente derramadas,
e mais essa dor que consome minhas horas e meus dias,
que faço eu sem a poesia que havia em Sofia?

Que faço eu com o pedaço que se vai embora e mais a dor que fica agora?

Choro a palavra não dita e a vida que definha,
choro as dores suas que são as mesmas dores minhas.
O vazio já se faz... Ah, meu Deus! para quem escrevo, eu aqui sozinha?
Lágrimas ao tempo tão quentes quanto o calor do seu olhar,
e a impotência de não mais poder meus olhos lhe encontrar...

Que faço eu com esse frio n'alma que aflora?

Choro a sua luta e a força que vence o cansaço,
queria eu poder mais uma vez descansar em seu braços.
Quem vai abrir o portão e o sorriso se a porta vai se fechar?
Dorme ela em sua cama fria, dorme linda Sofia,
que minhas lágrimas lhe aqueçam nessa noite vazia...

Que faço eu agora se é chegada a hora?


05/07/2005

 

 

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Avenidas  (Poesias declamadas) escrito em terça 15 julho 2008 03:03


 

Avenidas

Sandra Ravanini

 

 

Até que o dia dissesse ao anil

que era a sua hora de dormir,

bebeu a danação e o desvario

do adocicado e frio elixir.

 

 

Inda mais quisera o dia ousar;

na paisagem esquecida

a andorinha ourava o solar

maquiando o sono e à avenida.

 

 

Despertar à noite que prateia

aquele insone viajante,

rumando o beijo que vagueia

pra rua pintada de amante.

 

 

Até que a noite ornasse o breu

com seu colar de diamante,

bebeu Campinas o apogeu

pousando o Éden ao viajante.

 

28/11/2007

 

 

 

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Suplício  (Poesias declamadas) escrito em sábado 12 julho 2008 01:36


 

Suplício

 

Poeta Londrino & Sandra Ravanini

 

Apenas não posso aluir nesse tormento,
salvo o estridente brado que me acusa,
nada mais impede a minha recusa
e que me entregue agora ao barlavento.

 

 

...sopro então para as exéquias o fermento!

Vai mormaço delinqüindo esta amargura,

entregando a salvação pra esta rasura

inconteste, lacerando o ferimento.

 

 

Escrevo ainda numa página reclusa
notas que melhor se lêem ao relento,
deserto todos quantos linimentos
e desterro ainda a flâmula obtusa.

 

 

Rasgo o meu papel, e co-ré saio confusa

pro incerto jugo parindo sofrimento,

e caiando a página viro esquecimento

violando a certidão, um livro que me acusa!

 

 

Fujo apenas do que nunca existiu

entre sombras quedas e colinas,

e respiro o bem-estar das resinas

e campânulas mortas que ninguém viu.

 

 

Bebo do espinho o leite do meu desvario

e coisa alguma muda o sinal da sina,

e caio florindo minha estrada assassina.

Encontro o nada dentro do mesmo vazio!

 

26/02/2008

 

 

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Entalhando o céu  (Poesias declamadas) escrito em quinta 10 julho 2008 00:50


 

Entalhando o céu

Sandra Ravanini

 

 

Andei hasteando os céus, rumores vadios

estranhando as nuvens onde eu fui beber

o alívio da estrela quando eu vi chover

o caudal das prateadas que a mim sorriu.

 

 

Ei! O pó dos brilhos é o caminho que anuncio,

alimentando as luzes para eu colher

a floração noturna no amanhecer,

livrando-te cadente ao ardor do arrepio.

 

 

Andei entalhando o céu em um colar anil,

caçando nuvens para de mim chover

as salinas brumas do meu úmido ser,

consumando as águas no curso do rio.

 

 

Ei! Andei no estanho aspirando o pó vadio;

florando o céu, iluminei-te ao nascer

estrela de giz, brilhei só para ver

a noite caçando a luz de amor que caiu.

 

06/07/2008

 

 

 

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