Homem
Lis Helena Ravanini
Homem, fogo e vento que põem fim à raiz de minha eternidade,
serra adentro tomba à vida a parte
sem se importar ao deitar a história que carrego, xeque-mate!
Pulsam os galhos de seiva escarlate diante desta maldade.
Fumaça deste desespero etéreo que eles tragam,
sufocam o verde vivido e transformam-no em inferno.
Sim, como eu lamento a ignorância do seu sadismo interno...
Não! Junto a mim os seres vivos que hospedo e ao pó retornam.
Uma Brisa leve alimenta as chamas do terror
em cada segundo, cada centímetro, décadas de minha existência
viram cinzas num tic-tac frenético, e sem glória nem poesia
minha paciência é incinerada a seu favor.
Liquido vital, seiva, condutor universal...
Você cospe brasas, mas mal sabe que colhe sua própria desgraça.
Ainda assim o tempo faz com que o ciclo se refaça
Chorando sobre a semente a natureza em mais um ritual...
30/04/2008


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