Enigma
Sandra Ravanini
Vi a tua boca em um instante sem espinhos,
apagando o passado dos estigmas,
desapercebido, o riso, assim sozinho,
qual o aventureiro tocaiando o enigma.
Vai, brilho de olhar, vai sem nunca mais chorar
e derrama agora a essência do segundo
à testemunha; faz o mistério aclarar
revelando os belos sonhos do teu mundo.
Os anseios nos quiseram, ah! te fiz sangrar
naquelas noites retocadas de verniz
e estrelas frias, vagamundo sem luz ou luar
arranhando as trevas da nossa cicatriz.
Vai, enigma, dá os espinhos às risadas
e, testemunhando a essência dos risonhos,
derrama sobre mim o teu olhar de fada
clareando o nunca mais e o pranto do meu sonho.
08/12/2008


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