Home Data de criação : 07/10/14 Última atualização : 08/12/29 14:11 / 984 Artigos publicados
 

Poesias de Sandra Ravanini

Enigma  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em terça 09 dezembro 2008 18:07


 

Enigma

Sandra Ravanini

 

 

Vi a tua boca em um instante sem espinhos,

apagando o passado dos estigmas,

desapercebido, o riso, assim sozinho,

qual o aventureiro tocaiando o enigma.

 

 

Vai, brilho de olhar, vai sem nunca mais chorar

e derrama agora a essência do segundo

à testemunha; faz o mistério aclarar

revelando os belos sonhos do teu mundo.

 

 

Os anseios nos quiseram, ah! te fiz sangrar

naquelas noites retocadas de verniz

e estrelas frias, vagamundo sem luz ou luar

arranhando as trevas da nossa cicatriz.

 

 

Vai, enigma, dá os espinhos às risadas

e, testemunhando a essência dos risonhos,

derrama sobre mim o teu olhar de fada

clareando o nunca mais e o pranto do meu sonho.

 

08/12/2008

 

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Virgem dos confetes  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em sábado 22 novembro 2008 16:20


 

Virgem dos confetes

Sandra Ravanini

Voz: Paulo Monti

 

Tréplica

 

Apagar o ontem da minha vida,

desfiar o segundo que me folha

afagando o poema, que, só, olha

o branco da hora repetida.

 

Lençóis brancos à rasgada virgem;

contradança e ironia se afagada,

suplicando uma linha sexuada

aos amores comendo a fuligem.

 

Findar com o hoje que me conta

qual a lenda da casa colorida,

cicatrizar a ereção escorrida

na impotência dessa seda tonta.

 

Apagar enfim o amanhã e a vida

desamando esse tudo que me ora,

finando eu com a minha história,

e gozar da virgem adormecida.

 

Contradizer a contradança e a poesia

descompassando o ontem que repete

a esquecida virgem dos confetes,

ejaculada na hora da orgia.

 

19/08/2008

 

 

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Camarim  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em sábado 22 novembro 2008 16:15

 

Camarim

Sandra Ravanini

 

 

Camarim revestido de falas já ridas,

tapetes de flores e anjos com asas tortas

pendurados nas paredes, antes sem portas,

adornando os silêncios e inventando a vida.

 

 

Bordado e cetim; a máquina de costura

remendando os panos, recriando outro carnaval

de regras requebradas, estandarte final,

desfilando a inocência vestida à loucura.

 

 

Os dias de hoje são velhos, mudo camarim,

as roupas cerzidas carregam o passado

e as linhas não mais cruzam no mesmo bordado,

atrofiado pelos anos sem mãos, cheios de mim!

 

 

Doeu crescer assim; a porta é uma boca medonha

engolindo a fala, estandarte da covardia,

bordando os anos sem cores, e o anjo em atrofia

vai olhando as paredes velhas, antes risonhas.

 

02/11/2008

 

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Musa de nanquim  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em sábado 15 novembro 2008 15:38


 

Musa de nanquim

Sandra Ravanini

Voz: José C. Lopes

 

 

Retalhos de nanquim; desencanto os domados

alforriando a colagem dos meus foscos anos,

lúcido espelho nos momentos deformados

refletindo o ópio dentro da água que eu derramo.

 

 

Insensível assim, oh! bela musa gentil,

se repartindo em fragmentos o que é mundo,

esquece a mão que colou mais um pouco de anil

no céu de pó e nas minhas lágrimas de chumbo.

 

 

Vejo a cortina descendo antes dos atos meus,

um reflexo doentio abraçando os estilhaços

na fumaça dos enganos; nanquim que escorreu

o óleo santo ungindo o pranto dos irmãos de aço.

 

 

E sangro eu dentro desse espelho já quebrado

abraçando os fragmentos, ópio dos panos;

e se me encanto daquele mundo deformado,

oh! musa de teatro, é porque dispo os meus anos.

 

09/11/2008

 

 

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Expressão  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em quinta 06 novembro 2008 22:25


 

Expressão

Sandra Ravanini

 

 

 

Supor então que toda algema faz da gemente,

a sentinela ressentida do íntimo conto,

ao perceber que as sombras revelam o reencontro

das derrotas vestindo a ferida da indigente.

 

Supor ainda no instante uno sopro em desaviso,

acenando às ironias das mãos sufocantes,

encordoando a garganta calada e suplicante,

oitavando a voz do santo, canto que exorcizo.

 

Supor que o amanhã é um outro capítulo que insulta

a vontade de ver a fotografia em secagem,

se sabendo ser à semelhante a própria imagem,

recriando a fantasia nas lágrimas ocultas.

 

Supor que das vertentes só restem as alforras

nos caminhos sem saídas e sem almas arcaicas,

ceder por fim às tantas venturas farisaicas

calando o íntimo na beatitude da masmorra.

 

 

Campinas, 5/novembro/2008

Sandra Ravanini

 

 

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