Arena & Canto Solo
Sandra Ravanini & José C. Lopes
É triste engolir o giz
insistente corroendo
aquilo que está doendo
na garganta tão infeliz.
Ainda prosseguir fazendo
de uma vida por um triz
o canto solo da atriz
logrando seu lamento.
Sedar o nó se a avença
inflama a ira retida
e a mão atenta a ferida
mutila o perdão à ofensa.
Colar a face partida
à amálgama da descrença
e evitar à sentença
os torneios da mentira.
Amparar o beco a ruir
entre uma e nenhuma mão
soltar a filha do cão
ou continuar a fingir.
Conter o ato e sedição
tal brandura a descair
no gesto de ficar ou ir
entre a graça e maldição.
Acordar sem ter aonde ir
na temida hora ruim
alcançando o frio de mim
olhando o sonho fugir.
Sonhar sobre o estopim
inflamado de um porvir
nebuloso e partir
de um delírio ao fim.
A garganta inflamada
desperta a filha do cão
entre um e mais outro não
olhando a mão espancada.
Sola o grito e sedição
feroz sobre a derrocada
invertendo a estocada
ao rijo punho e mão.
Nunca tal febre amena
a sedenta inflamação
se os cães e os panos de chão
se traem na triste arena.
Extirpar a traição
como ceifar a gangrena
deitando ao solo a pena
à fria devoração.
Campinas, 31/08/2008
Londres, 30/09/2008


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