ALVORADA DE BETUME RECRIADA EM MUROS
Poeta Londrino)* & Sandra Ravanini & Lis Helena Ravanini & Aisha
posso crer que da alvorada que sonhei
restou purpúreo o sinal desta harmonia
suspensa no limiar da fantasia
com tantos deveres a que faltei
...ausente romper, vermelhando enfim descria
de uma herança macerada que pintei,
e manchando a falsa máscara, só, rasguei
em mim descorado pano que me vestia
Uma quimera transcrita em poesia
destilada daquela volátil sinfonia,
tingindo de escarlate o manto da lei
e tudo o que dela sei.
E do livro, rompendo o fim que pendia
dos restos esquecidos a pó, torpe poesia,
clamou o corpo em vitrais da velha abadia
pelo vermelho destilado em recriada ousadia.
posso ainda derramar o sangue no esgoto
e silenciosamente como um larápio
murmurar o céu que se quedou em meu lábio
precipitando a razão e o engodo
ó mortalha insana, clama o manto sábio,
veste exangue vai secando o bom do poço,
queda o céu na cal do fosso, meu ou teu esboço
deitando a seiva aziaga calando o lábio?
Sela a tua boca com este verso solto
e esquece o protesto nele envolto
por rasuras esquecidas em outrora
vindas das rimas de um profeta que chora.
E profere sua sina em surdo sinal,
revelado no mesmo pergaminho que conta sua hora
dá ao novo o destino que leva a tão preterido umbral
restaurando o tempo, avança aurora, invade e apavora...
mas se ergo a voz de solitário púlpito
vejo multidões que então de súbito
migram em consuetudinária lida
voz santa derruba as estátuas do culto,
tamanho o amargor deste purpúreo insulto
clamado no altar às multidões das siglas
Alerta assim a indireta referida
através da manifestação, um ímpeto
aos que a têm compreendida.
clama em pó entre desertos e muros
sorvendo da serpente o veneno impuro
do incauto é a voz antes nunca ouvida...
posso então descrer da arvorada vida
no segundo que me estanca a sensatez
resumido no mormaço em minha tez
cruz desbota o betume cerne da viga...
quem sabe o calor amorteça a dor do jaez
devolvendo-me a crença pela última vez...
A existência dolorosa deste lirismo se fez
no apogeu da ópera que narra a fé perdida,
na voz de poetas mortos pela autoria corrompida.
Acorda no último ato onde a vida é recolhida,
fere a alma já abatida e chora pela morte que vê
recriada sobre as cinzas de total estupidez.
16/07/2007
London 23h39
Brasil 19h39
26/07/2007
17/05/2008


Comentários