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Duetos / Cirandas e Amigos

ALVORADA DE BETUME RECRIADA EM MUROS  (Duetos / Cirandas e Amigos) escrito em domingo 18 maio 2008 15:56

 

ALVORADA DE BETUME RECRIADA EM MUROS

Poeta Londrino)*  & Sandra Ravanini & Lis Helena Ravanini & Aisha

 

 

posso crer que da alvorada que sonhei

restou purpúreo o sinal desta harmonia

suspensa no limiar da fantasia

com tantos deveres a que faltei 

 

 

...ausente romper, vermelhando enfim descria

de uma herança macerada que pintei,

e manchando a falsa máscara, só, rasguei

em mim descorado pano que me vestia 

 

Uma quimera transcrita em poesia

destilada daquela volátil sinfonia,

tingindo de escarlate o manto da lei

e tudo o que dela sei. 

 

E do livro, rompendo o fim que pendia

dos restos esquecidos a pó, torpe poesia,

clamou o corpo em vitrais da velha abadia

pelo vermelho destilado em recriada ousadia.  

 

posso ainda derramar o sangue no esgoto

e silenciosamente como um larápio

murmurar o céu que se quedou em meu lábio

precipitando a razão e o engodo 

 

ó mortalha insana, clama o manto sábio,

veste exangue vai secando o bom do poço,

queda o céu na cal do fosso, meu ou teu esboço

deitando a seiva aziaga calando o lábio?

  

Sela a tua boca com este verso solto

 e esquece o protesto nele envolto

por rasuras esquecidas em outrora

 vindas das rimas de um profeta que chora.

  

E profere sua sina em surdo sinal,

revelado no mesmo pergaminho que conta sua hora

dá ao novo o destino que leva a tão preterido umbral

restaurando o tempo, avança aurora, invade e apavora... 

 

mas se ergo a voz de solitário púlpito

vejo multidões que então de súbito

migram em consuetudinária lida

 

voz santa derruba as estátuas do culto,

tamanho o amargor deste purpúreo insulto

clamado no altar às multidões das siglas

 

Alerta assim a indireta referida

através da manifestação, um ímpeto

aos que a têm compreendida. 

 

clama em pó entre desertos e muros

sorvendo da serpente o veneno impuro

do incauto é a voz antes nunca ouvida...

 

posso então descrer da arvorada vida

no segundo que me estanca a sensatez

resumido no mormaço em minha tez 

 

cruz desbota o betume cerne da viga...

quem sabe o calor amorteça a dor do jaez

devolvendo-me a crença pela última vez...

  

A existência dolorosa deste lirismo se fez

no apogeu da ópera que narra a fé perdida,

na voz de poetas mortos pela autoria corrompida. 

 

Acorda no último ato onde a vida é recolhida, 

fere a alma já abatida e chora pela morte que vê

recriada sobre as cinzas de total estupidez.

 

16/07/2007

London 23h39

Brasil 19h39

26/07/2007

17/05/2008

 

 

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Ouro de horizonte - Dueto para Naida Terra  (Duetos / Cirandas e Amigos) escrito em terça 22 abril 2008 17:23

 

Ouro de horizonte

Sandra Ravanini & Sapeja

 

Para Naida Terra

 

Ouro de horizonte, uma face de aquarela

espelhando os sorrisos do dia de festa;

notas distantes, o poente faz a seresta

à primavera em desponte nas mãos da Terra

 

 

Tem pessoas que são como árvores

se machucam com as tempestades

sofrem no frio de um inverno intenso

perdem as folhas em tempos tristes.

 

 

Pessoas são retratos expostos à sorte;

é uma mulher guerreira vencendo a tela,

com a espada da vida, levante tão dela

derrotando o inverno e brotando mais fortes.

 

 

Mas aguardam no tempo um sol

agarram-se no solo na espera da luz

renascendo a cada estação de primavera

trazendo no olhar a doçura da esperança.

 

22/04/2008

 

 

 

 

 

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Poema do riso  (Duetos / Cirandas e Amigos) escrito em sábado 12 abril 2008 00:24

 

Poema do riso

Sandra Ravanini e Aisha

 

Um riso que endoidece todas as faces,

pela fresta, a avenida se envaidece...

sublime dor essa que alivia e renasce

e pela cidade um sóbrio louco agradece.

 

Aos recantos desse mundo esquec,

a dor do sofrer em lágrimas sem amanhecer,

pasmados, emudecidos, sorriem desse entender

e o sol despe o corpo que responde: adeus aos açoites.

 

Que noite!

 

Advém o novo encanto que escarnece da promessa,

veste-se de festa no riso que a todos enaltece,

cai a estrela embriagada sem mais preces...

adentra um pouco na gargalhada que merece.

 

Vai! Canta o hino da colcha de retalhos colorida,

e a mão da velha que fenece no poema que já desce

na quebranta dessas lágrimas secando as feridas,

renasce da luz emergindo novo dia que floresce.

 

07/10/2006

 

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LIRA/ODE - António Castel-Branco/Sandra Ravanini  (Duetos / Cirandas e Amigos) escrito em sábado 12 abril 2008 00:04

 

Lira

António Castel-Branco

 

ODE

Sandra Ravanini

 

De súbito o silêncio sideral

que penetra, qual eco pelo monte,

pelos poros da gente que, defronte,

se defende, medrosa desse mal

 

...E os súditos cavalgando um mistral

açoitam montanhas que se rompem

em morte-cor pelas mãos no pôr de outrem

que sem medo ousou o pincel atemporal,

 

viajor que faz o brilho de um caudal

dançar às luzes embriagadas em poente

dourado nessa fé, e de tão crente,

sem querer, entoa a ode angelical.

 

que alastra pelo Cosmos virginal,

é quebrado em acordes duma fonte

jorrando melodias pela fronte

duma lira de poeta ou boreal.

 

Crescendo tal celeste semitom,

e germinando na vasa todo o dom

redimindo a criação ao criador da imagem,

 

Já soltos, arrancados, esses sons

que perduram no eterno em vários tons

e transportam ao mundo uma mensagem,

 

conseguem penetrar em qualquer mito,

empurrando pra lá desse infinito,

mostrando ao Universo a sua imagem.

 

e a semelhança renovando o ciclo,

e o vento sóbrio sorrindo encíclico,

doa a canção do amor à paisagem.

 

 

Sintra, 05/10/2006

Campinas - Br, 05/10/2006

 



 

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Réquiem/Consagração/Adoração  (Duetos / Cirandas e Amigos) escrito em quarta 02 abril 2008 18:40

 

RÉQUIEM

Sandra Ravanini

 

CONSAGRAÇÃO

Poeta Londrino)*

 

ADORAÇÃO

AngélicaT. Almstadter

 

 

Pedaço de mim desgastado de crenças voltei,

deixei no caminho o sangue do meu sudário,

desci a colina carregando o meu calvário,

chorei para a vida que eu mesma matei.

 

 

Acolho o teu martírio em contrição

porque em mim sufoca a voz do vilipêndio

rumores de uma indecisa oração

a lavrar razão em cruciante incêndio.

 

 

No calvário te segui em muda oração,

Sangrando os olhos, em óleos regados;

Onde sufocada foi tua esperada coroação

Amaldiçoei mil vezes os meus pecados.

 

 

Matei a fogueira na qual me queimei,

queimando o sudário, a colina, e queimando o calvário,

baixando o capuz, eu chorei ao contrário,

irônica, matei a esperança que eu mesma criei.

 

 

Recrio a  fé ao erguer das ruínas,

sementes híbridas de uma nova aliança,

e provo do sabor dessas feridas

como hóstia a consagrar a esperança.

 

 

Morre o homem sem tempo para que resista a fé

Remidos passeiam livres e soberanos

Abaixo do céu sem esperança, caminham a pé

Desnudados na absolvição, pobres humanos.

 

 

Criei na criança que outrora eu mesma embalei,

a ferro e fogo, vestida no aço, a criança moldei.

Confesso com prazer: matei a criança com as minhas mãos.

 

 

Ressuscito as tuas mãos para o gesto

redentor do derradeiro protesto

à insana face do universo.

 

 

Comungo na mesma taça  a redenção,

A última proposta aliança;

O sangue jorrado no fogo da maldição.

 

 

Vazia de morte e nas mãos o sangue que eu derrubei,

à procura da pegada e da trilha que eu nunca encontrei.

Prostrada e pária, a fé em mim eu matei, matando a própria criação.

 

 

Toma do meu sangue que te empresto

solidário em teu procurar lesto,

conclamando-te ao caminho inverso.

 

 

Prostrada em adoração, ante ao sangue derramado;

Mato o eterno, insano inferno da criação

Para o júbilo do salmo a ser entoado.

 

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