
Rascunho
Sandra Ravanini
Tenho tantas cicatrizes escondidas na fenda do meu olhar,
que o sol me aceita e insiste em raios de dourada elegância,
deixo o semblante congelado e acorrentando o meu chorar,
viajo em minhas diretrizes e vou procurando a temperança,
encontro-me noutra estria sem mesmo perto de mim chegar.
Tenho tantas cicatrizes lesando a boca numa máscara cigana,
que a lua desencanta e desiste enquanto afronto a arrogância,
fecho o riso apunhalando a histeria com suas cifras mundanas,
pego os meus gizes e prossigo esfarelando minha inconstância,
rompendo a fibra da ferida sem nunca achar minhas entranhas.
08/02/2006
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