Órfãos de Zeus
Sandra Ravanini
Quanta argamassa estampando as capas,
distribuindo mitos aos órfãos de Zeus,
no custeio infecto do sorriso das castas
doando ao rejeito a ventura dos fariseus.
Escarnecendo aos gritos dos filhos de ninguém,
semeando os ritos, cultuando os seus prescritos,
o orfeão comunga na inocência dos pobres reféns
e no ego obsceno. Bem-aventurados os monólitos!
Destoa a corja aos portadores dessas graças,
se fartando no ópio dos espíritos assassinos,
no submundo abjeto pisoteando todas as raças...
só isto não basta. Bem-aventurados os cretinos!
Nada escapa às rasantes e aos rabos-de-arraias,
caindo outro fraco para a engorda das prostitutas,
mais uma gota frouxa nos capachos e nas saias
passantes da fé. Bem-aventuradas as escaramuças!
Ah! Bendita essa réstia aos rogos da alimária!
Alvedrio inexistente usurpando o canto de amor,
monopólio do lúdico excomungando a luminária,
anulando tudo enfim. Bem-aventurado o impostor!
25/02/2006

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