Ponto cruz
Sandra Ravanini
Nem se quer citaram àquela face, o estranho estio
do gesto inerte, um riso na hora errada à renda
da mesa entristecida; o vão de ontem, sua oferenda
envasa a flor incomodando o branco casario.
As mansas mãos dos bordados hoje descorados,
apertam os nós forjando as linhas e as certezas
do mármore endurecido qual o som da mesa
e dos punhos dividindo o linho amargurado.
Não ditaram a messe! Ora um semblante de estanho
incomodando o vão da mesa marmoreando o estio,
rasgando o riso manso onde o punho forjou o desvio.
E nem se quer à ontem, renda a oferenda ao casario,
ditando o rosto de mármore: mansos vão à sanha...
ao som dos nós apertando as mãos em dor tamanha!
22/07/2007
15h57
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