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Ponto cruz  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em segunda 03 dezembro 2007 15:53

Ponto cruz

Sandra Ravanini

  

Nem se quer citaram àquela face, o estranho estio

do gesto inerte, um riso na hora errada à renda

da mesa entristecida; o vão de ontem, sua oferenda

envasa a flor incomodando o branco casario.

  

As mansas mãos dos bordados hoje descorados,

apertam os nós forjando as linhas e as certezas

do mármore endurecido qual o som da mesa

e dos punhos dividindo o linho amargurado.

  

Não ditaram a messe! Ora um semblante de estanho

incomodando o vão da mesa marmoreando o estio,

rasgando o riso manso onde o punho forjou o desvio.

  

E nem se quer à ontem, renda a oferenda ao casario,

ditando o rosto de mármore: mansos vão à sanha...

ao som dos nós apertando as mãos em dor tamanha!

 

22/07/2007

15h57

 

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