A NOITE DOS CRISTAIS QUEBRADOS
Sandra Ravanini
Ao povo Judeu
Nada mais há nos dizeres que já foram ditos,
tanto brio nos castiçais, ao bento pão sagrado
no calafrio, se na noite dos cristais quebrados,
a chacina açoitava a benção dos ritos.
Por que descrevo a velha história tão gasta,
enquanto Déborah cria, quando por pouco creio eu,
o que foi feito de Ana diante da Suástica,
brilhou a estrela de Davi, se Isaac morreu?
O trem, noite e dia bebia sangue dos farrapos,
um frio inimigo ia levando os decanos,
os coturnos esmagavam os pobres capachos,
no conluio da farda, calava-se o Vaticano.
Àqueles judeus com seus salmos e cantos de paz,
se choram as Saras no campo de concentração,
um terminal pensamento na câmara de gás,
de volta ao pó, os muitos Cohens na cremação.
Pranteiam os corpos das jovens e filhas violadas,
lágrimas vãs, foi o choro na Ravina da Vovó,
rasteando os andrajos na fé dos algemados;
sem dó!... Seqüelas e memórias, Levy morreu só!
Voam in memoriam partículas da nobre Raquel,
nas lembranças tão tristes dum ébrio entardecer,
trilham agora as raízes dos filhos de Israel,
noutros campos que não semeiem o canto “Heil Hitler”
24/04/2006










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