Rotas de pedra
Sandra Ravanini
Impiedosa estrada de traiçoeiras derrotas;
curvar-se nessa sujeira sobrevivente
vestida de pedras, endurecida gente,
arranhando o destino da afligida rota.
Imprestável assim, sorrindo mesmo infeliz,
retribuindo a gratidão, a recusa de sempre,
o mesmo não a esses amanhãs indiferentes
que despertam diante dos meus restos incivis.
A pele queimada, a sede, a pedra e o cansaço,
o vômito no asfalto manchando o destino
da agraciada matéria do medo que ensino
na mesma esquina suja onde o sorriso é escasso.
A ponte, o edifício, o vigésimo andar ridente,
o espaço paralisado ansiando a multidão,
há uma vidraça aberta sorrindo para o chão,
há a rota de pedra agraciando o meu acidente.
25 - 10 - 2009
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