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ESPELHO MEU e MINHA IMAGEM  (Sandra Ravanini e José C. Lopes) escrito em segunda 29 dezembro 2008 14:11

 

ESPELHO MEU e MINHA IMAGEM

Sandra Ravanini e José Carlos Lopes

 

 

Espelho meu, perdoa essa face imune
e ressentida; de olhos apagados...
o sorriso açoitado que me pune
é o veneno do medo desgraçado.

 

 

Minha imagem à semelhança do aço

que destempera à ação feroz do lume,

estorva a nossa voz ao descaso

das brumas vertidas ao negrume.

 


Tanta derrota e violência eu te mostrei
nessa vida que agora, só, tu choras,
e o reflexo nega à sombra que ora olha
o que te falta, me falta... já nem sei!

 

 

E nada sei da mão que nos toca

nessa ilusão que, só, eu imaginei

suplantar o delírio que eu criei

erguendo-nos vagar e a desoras.

 


É tarde; não há luz ou porta aberta
e cá estamos, rascunhando a confissão
do opaco eu e eu, sigilo fosco que aperta
a garganta de quem provou a danação.

 

 

Tempo esquecido em vias desertas,

apenas nós, sem eira ou profissão,

imagem minha; vai agora e liberta

alguma palavra em nossa adoração.

 


Espelho meu, o tempo escoa e nos condena
às vergonhas; portanto, rezar sem deus
encarando tu e eu, o nosso semblante ateu
devolvendo ao vidro feio o fim da cena.

 

 

Ou talvez poupar ainda um adeus,

imagem minha; desvanece e encena

a farsa e a apoteose da pena,

fazendo do desbrilho o nosso apogeu.

 

 

Campinas, 27/dezembro/2008

Londres, 28/dezembro/2008

 

Arte: Denise Moura

 

 

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Todos os comentários desse artigo:
ESPELHO MEU e MINHA IMAGEM

  • ka Sex 25 Set 2009 12:27
    Sandra,

    Parabéns por mais esse poema.

    Abraços.