Um pouco mais... e Ainda agora...
Sandra Ravanini e José Carlos Lopes
Envelhecido abraço àquela que lhe quis
outrora, hoje, sentinela de seu cais.
Definha a sombra ébria no pó do próprio giz,
riscando a solidão em terras que tanto faz.
Ainda agora... a mão desenhava uma paz
canhestra; vencia ao branco o matiz
daquele colorido opaco; e para trás
morria a alegria num horizonte gris.
Acumulando o sorriso para ninguém,
e o brilho retido encontra a alva parede,
chorando os seus filhos quando nenhum amém
sacia o eco das águas passadas na sede.
Ainda agora... a fome contida num verbete
indefinia e confluía num desdém
cada palavra dos que nada têm,
senão o tempo amortalhado em sua rede.
Poderia ter legado aos meus olhos menos sais,
e ao açude de tristeza quando se rompeu
na promessa alquebrada em amor que morreu;
porque deveria ter ficado um pouco mais.
Ainda agora... um desejo esquecido se vai
na migração de um sonho que adormeceu,
escapa ao grilhão no laço que se rompeu
em perdas, e ganhos que a vida subtrai.
02/10/2006
23/12/2008
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