Expressão
Sandra Ravanini
Supor então que toda algema faz da gemente,
a sentinela ressentida do íntimo conto,
ao perceber que as sombras revelam o reencontro
das derrotas vestindo a ferida da indigente.
Supor ainda no instante uno sopro em desaviso,
acenando às ironias das mãos sufocantes,
encordoando a garganta calada e suplicante,
oitavando a voz do santo, canto que exorcizo.
Supor que o amanhã é um outro capítulo que insulta
a vontade de ver a fotografia em secagem,
se sabendo ser à semelhante a própria imagem,
recriando a fantasia nas lágrimas ocultas.
Supor que das vertentes só restem as alforras
nos caminhos sem saídas e sem almas arcaicas,
ceder por fim às tantas venturas farisaicas
calando o íntimo na beatitude da masmorra.
Campinas, 5/novembro/2008
Sandra Ravanini
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