Humor sem
riso
Sandra
Ravanini
Envergonhada, vendo
o Os laranjas, humor
baixo introduzido no programa Domingo Espetacular — por
sinal um bom programa —, confesso o meu desdém
contra os ofensivos personagens fazendo piadas degradantes contra
aquele que já foi considerado O Fenômeno:
Ronaldo.
Dois chatos
imitadores se passando por Casagrande e Milton Neves, com um
péssimo senso de humor somado ao hediondo recurso de utilizar tal
espaço com o intuito de desmerecer e atacar, com toda a sujidade
expressa, os temas já batidos, abatidos e combalidos, sem nenhuma
inovação que se preze.
É certo que a TV
brasileira há muito tempo perdeu a qualidade e o respeito
pelos telespectadores do nosso país, suspendendo bons seriados,
desrespeitando os horários, expelindo burrices à nova geração
mutante de
estudantes, entre outros que desaprendem a cada nova-velha novela
sem diálogo ou um mínimo de enredo
inteligente.
Lembremos o
significado da palavra humor: Veia cômica; graça,
espírito: Todos riem de suas histórias: conta-as sempre com muito
humor. Capacidade de perceber, apreciar ou expressar o que é cômico
ou divertido — fonte: Dicionário
Aurélio.
O que vi e
ouvi não condiz com a acepção do
termo.
Respeito à liberdade
de expressão sim, porém, não posso deixar de protestar ante o
fracasso do que foi apresentado naquele programa, montado em uma
tentativa, talvez, de se equiparar à competência de outro programa
que vem apresentando, com excelência e maestria, a essência
do humor espontâneo, original, político e
social.
Quem são vocês que
tanto ofenderam aquele que já foi orgulho e agora luta para voltar
aos gramados?
Que dignidade deram
vocês a esse país? Qual de vocês concedeu à multidão a beleza
dos dribles, o grito de honra de ser cidadão brasileiro por alguns
segundos?
Enojada, vi duas
laranjas estragadas nesse barril de humor fraco e perverso, em uma
mesma emissora onde religião e sensacionalismo confundem seres do
ser fenômeno.
Irresponsabilidade
ofensora não!
A televisão, a bem
da verdade, necessita com urgência rever o conceito liberdade de expressão,
distinguindo-o da liberdade de repetição e enganação
àqueles que não têm TV paga.
Liberdade também de
deixar em paz e quem sabe aplaudir um brasileiro que deu mais a
esse povo do que o sumo infecto de um humor sem riso e em
decomposição.
Não entendo como a
Record, uma emissora premiada, deixou ir ao ar uma tela de
horrores.
Façam por nos
merecer, com um pouco de dignidade e um mínimo de respeito e
humildade aos que nos deram mais do que um grito de gol ou um ponto
inconseqüente no laudo do ibope, principalmente aquele que a mim
deu o exemplo da superação.
O que presenciei,
foi o suco das bagas covardes.
Não a tal
desmerecimento televisivo!
Digam não,
Custe o que Custar...
é melhor!
16/12/2008
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