Home Data de criação : 07/10/14 Última atualização : 10/01/01 12:58 / 729 Artigos publicados
 

Mãe das estrelas  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em sexta 01 janeiro 2010 12:58

 

Mãe das estrelas

Sandra Ravanini

 

 

                                              A Wilma de Almeida Marques Ravanini, minha mãe

 

 

Engrandecer-te, minha mãe, filha de outra filha,

e receber toda a simplicidade desse teu olhar,

contando para as estrelas uma história de ninar,

que eu vi nascer da boca que em ti brilha.

 

 

Boca de lua crescente, sorriso de constelação,

ensina-me, oh! mãe, a tua adocicada alquimia,

feita das luzes do olhar, esvaídas da fisionomia

dessa cheia celeste, dessa chuva cheia de perdão.

 

 

Chuva de esperança, águas do teu universo coração,

arrastando as quimeras ao crepúsculo de um nume,

onde a boca do céu desembaraça o astro lume

do teu olhar de estrela, riscando toda escuridão.

 

 

Mãe das estrelas, Três-Irmãs, três-marias Luz à Vera,

adocicada face de lua, oh! minha mãe cadente,

riscando os céus o brilho do teu coração crescente,

clareando as estações com teus sonhos de aquarela.

 

15/12/2009

 

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Campinas e sentidos  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em sábado 19 dezembro 2009 14:26

 

Campinas e sentidos

Sandra Ravanini

 

 

Empunho os amanhãs, pintando-te em clemência,

a tela inexata, embaçando um céu sem sonho

onde jaz a andorinha num canto tardonho,

compondo a canção da avenida em decadência.

 

 

Caminhar nestas ruas, ver-te sujos jazigos,

buscar o verde e a terra, restos dos pedaços

no concreto da arte, na cinza do mormaço,

expelindo o pó na aquarela dos sentidos.

 

 

Vi a floração esperançar os meus dias sofridos,

os festivais solando os fantasmas do verão,

expulsando o demônio daquela ébria estação,

vi um anjo no teu solo, eu vi o abraço estendido.

 

 

Hoje vejo o rosto inumano, um canto escuro,

arrastando às ruas os filhos do elo partido

numa cidade que abraçava o colorido,

e ora mata a cantiga e o solo que figuro.

 

 

Rebuscar-te, oh! Campinas, ventania e advento,

esperançando a andorinha de um céu risonho

que eu pincelei; anjo azul, serenata do sonho

sem poente nessa cidade entoando o cimento.

 

18/12/2009

 

 

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Emblema dos becos  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em quinta 26 novembro 2009 15:09

Emblema dos becos

Sandra Ravanini

 

Febril emblema, vida que a mim despreza,

assim como o nascimento à enfermidade

fosse o estigma, o eclipse dessa reza,

cobrindo a existência de calamidade.

 

 Engolir mais um sopro desse vento seco

que passa pelas dúvidas, pela garganta;

meus outros gritos repicando no beco

onde a humana em meu peito jaz quebranta.

 

 Afracada vida, a dor rangendo em mesmices,

a espera corroendo a pele, rasgando o emblema,

do débil ser morrendo ao ver o eclipse,

escurecendo o astro que sonhou outro tema.

 

 Febril garganta, um soluço desprezado,

o choro humano àquele astro que brilhou

no sonho e vida do emblema tão rezado,

morrendo o grito junto ao sopro que cessou.

 

04/11/2009

 

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Rotas de pedra  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em domingo 01 novembro 2009 14:00

 

Rotas de pedra

Sandra Ravanini

 

Impiedosa estrada de traiçoeiras derrotas;

curvar-se nessa sujeira sobrevivente

vestida de pedras, endurecida gente,

arranhando o destino da afligida rota.

 

Imprestável assim, sorrindo mesmo infeliz,

retribuindo a gratidão, a recusa de sempre,

o mesmo não a esses amanhãs indiferentes

que despertam diante dos meus restos incivis.

 

A pele queimada, a sede, a pedra e o cansaço,

o vômito no asfalto manchando o destino

da agraciada matéria do medo que ensino

na mesma esquina suja onde o sorriso é escasso.

 

A ponte, o edifício, o vigésimo andar ridente,

o espaço paralisado ansiando a multidão,

há uma vidraça aberta sorrindo para o chão,

há a rota de pedra agraciando o meu acidente.

 

25 - 10 - 2009

 

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A cura  (Poesias de Sandra Ravanini) escrito em domingo 01 novembro 2009 13:58

 

A cura

Sandra Ravanini

 

                                                 A Danilo Ravanini

 

 

Expulsar-te; chagas enodoadas de rancor,

interrompendo o ciclo intenso e dolorido

às mãos irmanadas na cura dos sentidos,

aliviando a devoração, caiando-te, oh! livor.

 

 

Apalpar-te; ira envidraçada, a fria tortura

abrindo as comportas, libertando os teus medos

mais profundos, amistar-se dos levedos,

destilando o amanhã distanciado da agrura.

 

 

Redimir-te por fim, clamando o ciclo indolor,

invocando a panaceia à rosa-dos-ventos,

soprando a graça, exortando o riso do tempo,

que há de chegar em um solstício de louvor.

 

 

Aliviar-te; roubar da vida a ira em sinfonia,

tocar a cura, o risonho ciclo que espera,

o amistado sopro das mãos em primaveras,

concebendo a rosa-dos-ventos em anarquia.

 

22/06/2009

 

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